Ban Ki-moon e Sarkozy exigem que Gbagbo abandone a presidência
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DATA: 2010-12-17
SUMÁRIO: O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse hoje em Nova Iorque que Laurent Gbagbo deve deixar a presidência da Costa do Marfim.
TEXTO: Gbagbo deve entregar o poder ao seu adversário Alassane Ouattara, que ganhou a segunda-volta das presidenciais, afirmou Ban Ki-moon à imprensa. São intoleráveis as tentativas do candidato derrotado para se manter no poder, sublinhou o secretário-geral. Horas antes, o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, exigira ao seu homólogo da Costa do Marfim que abandonasse o lugar "antes do fim da semana". Em Bruxelas, onde participou numa reunião de chefes de Estado e de Governo, Sarkozy declarou que Gbagbo deverá entregar o poder se não desejar ser incluído na lista de sanções a aplicar pela União Europeia (UE) a uma série de personalidades do seu regime. "Não há outra solução para Gbagbo que não seja deixar um lugar que está a usurpar", afirmou taxativamente o Presidente da República Francesa. O Presidente e a sua primeira mulher, Simone Ehivet Gbagbo, vice-presidente da Frente Popular Marfinense (FPI) e líder do respectivo grupo parlamentar, "têm o seu destino nas mãos", acrescentou Sarkozy. “Cabe a Gbagbo decidir a imagem que pretende deixar na História. Quer deixar a imagem de um homem de paz? Ainda há tempo, mas já vai escasseando; e ele deve partir. Ou quer deixar a imagem de alguém que permitiu que se disparasse sobre civis inocentes? ", perguntou o Presidente francês, no fim da cimeira europeia. "Existem jurisdições internacionais, como o Tribunal Penal Internacional, onde o próprio procurador afirma que está a acompanhar muito atentamente a situação e que os que ordenaram que se disparasse serão chamados a prestar contas", prosseguiu Nicolas Sarkozy, na sua linguagem particularmente dura. "É preciso manter a pressão, ou até mesmo aumentá-la. A única assinatura bancária válida para o Estado marfinense é agora a de Ouattara", afirmara já a ministra francesa dos Negócios Estrangeiros, Michèle Alliot-Marie. Fonte norte-americana citada pela Euronews disse que os Estados Unidos, a União Africana (UA) e as Nações Unidas também estão a fazer pressão para que Laurent Gbagbo se demita quanto antes e parta para o estrangeiro. É aquilo a que a AFP chama a estratégia da asfixia da administração cessante. Uma das personalidades às quais a UE pretende aplicar sanções é o conselheiro presidencial Bertin Gahié Kadet, sobrinho de Gbagbo, que recentemente o enviou a conversações com o seu homólogo de Angola, José Eduardo dos Santos. O presidente da Comissão da UA, o gabonês Jean Ping, encontra-se desde hoje de manhã em Abidjan, a fim de ainda procurar evitar a guerra civil que cada vez mais se desenha no país que é o maior produtor mundial de cacau. Depois de ter falhado a mediação do antigo Presidente sul-africano Thabo Mbeki, enviado pela UA no dia 5 de Dezembro, Jean Ping tenta uma hipótese de evitar o mergulho total no caos, num país onde ontem se verificaram largas dezenas de mortos : pelo menos 30 em Abidjan e cerca de 20 nas proximidades da cidade de Tiebissou, no interior. Ping seguiu directamente do aeroporto da maior cidade do país para um encontro com o Presidente cessante, Laurent Gbagbo, depois do que deverá ir ao hotel onde se encontra o Presidente eleito Alassane Ouattara. Se bem que a capital da Costa do Marfim seja formalmente, desde 1983, Yamoussoukro, terra natal do primeiro Presidente da República, Félix Houphouet-Boigny, toda a actividade comercial se centra na cidade portuária de Abidjan, à beira do Atlântico.
REFERÊNCIAS:
Entidades UE UA