O controverso Kim do Megaupload
MINORIA(S): Migrantes Pontuação: 6 Mulheres Pontuação: 2 | Sentimento 0.55
DATA: 2012-01-27
SUMÁRIO: Burlão internacional ou pai de família? Visionário ou aldrabão? Bon vivant ou provinciano com tiques de novo-rico? Kim Dotcom, o homem por trás do site Megaupload, é uma figura polémica, que nasceu, cresceu e prosperou no mundo das novas tecnologias.
TEXTO: Kim Dotcom, antes Schmitz e Tim Jum Vestor, também conhecido por "Dr. Evil" (personagem dos filmes de Austin Powers), está preso, à espera de saber se será extraditado da Nova Zelândia, onde reside, para os EUA, onde enfrenta acusações de fraude, branqueamento de capitais e violação das leis de direitos de autor por causa da actividade da constelação de sites que tem no Megaupload a sua estrela central. Não é a primeira vez que Kim Schmitz enfrenta a justiça e, enquanto os seus advogados clamam inocência, ele faz uma pausa forçada na sua vida de excessos. Sim, ele é culpado de muita coisa. Exibicionismo, mau gosto, falta de escrúpulos no mundo dos negócios. Mas será culpado de causar centenas de milhões de dólares de prejuízos em direitos de autor, só nos EUA?Antes de mais, os factos: o FBI encerrou o Megaupload na semana passada; as autoridades norte-americanas solicitaram a extradição de Kim para ser julgado nos EUA; o juiz neozelandês tem adiado a sua decisão. Por haver risco de fuga, Schmitz permanecerá detido até 22 de Fevereiro. Entram os números: o Megaupload era, à data do seu encerramento, o 13. º site mais visitado na Internet a nível mundial; os prejuízos estimados pela actividade de partilha de ficheiros atingem os 500 milhões de dólares (385 milhões de euros); Kim enfrenta a possibilidade de vir a ser condenado numa pena de até 20 anos de cadeia. Falta aqui um arredondamento da sua fortuna, mas esse é um dado muito escorregadio. Devido à predilecção do gigante alemão (2, 00m de altura para mais de 130kg de peso) pelo exibicionismo – divulga fotos de si próprio ao volante de grandes carros, esparramado em piscinas de iates ou rodeado de belas mulheres em paraísos tropicais, por exemplo –, a ideia que fica é que Kim deve ser podre de rico. Ele limita-se a constatar que está no top 10 dos mais ricos da Nova Zelândia, o que o coloca acima dos 700 milhões de dólares. Não há dúvida de que ele tem muito dinheiro. Pelo menos o suficiente para "comprar" o seu visto de residência na Nova Zelândia. Ao subscrever 10 milhões de dólares de títulos do tesouro neozelandeses, colocou-se ao abrigo das leis de imigração do país, que abrem um campo especial para a categoria dos grandes investidores. Mas fez mais: patrocinou o fogo-de-artifício da passagem de ano de 2010 em Auckland e tornou-se um dos principais beneméritos do fundo de auxílio às vítimas do sismo de Christchurch. A generosidade garantiu-lhe o direito de residir na Nova Zelândia, mas não de adquirir a casa onde vive (e onde foi preso durante a festa do seu 38. º aniversário, apesar de se ter fechado numa sala de segurança com uma caçadeira carregada). Confusos? Pois é, as leis têm destas coisas. Kim vive com a família (tem três filhos e a sua mulher está grávida de gémeos) numa mansão avaliada em cerca de 30 milhões de dólares, na zona rural de Auckland. Depois de a alugar, pensou comprá-la. Mas a pretensão foi bloqueada pelas autoridades neozelandesas, devido às suas anteriores condenações na Alemanha. A saber: uma por fraude com cartões de crédito e outra, também por fraude, no site Letsbuyit. com. Se o primeiro caso pode ter sido um devaneio adolescente, o segundo, em 2011, tem todos os condimentos das grandes histórias. Penas suspensasDepois de comprar acções da empresa no valor de 375 mil dólares, Kim anunciou com estrondo a sua intenção de investir outros 50 milhões. Na verdade, não tinha esse dinheiro. Mas passou a ter 1, 5 milhões de lucros assim que vendeu as acções, que entretanto, na sequência do seu anúncio, tinham quadruplicado de valor. Noutra ocasião, pediu a uma empresa, por si presidida, um empréstimo para outra companhia sua. Nunca pagou e ambas foram à falência.
REFERÊNCIAS:
Entidades EUA