Conhecer o Porto, um desenho de cada vez
Oito centenas de desenhadores urbanos tomaram conta da Ribeira do Porto num "Passeio de Desenho". É o encontro mundial do grupo Urban Sketchers, que decorre até sábado. (...)

Conhecer o Porto, um desenho de cada vez
MINORIA(S): Animais Pontuação: 2 | Sentimento 0.0
DATA: 2018-07-20 | Jornal Público
SUMÁRIO: Oito centenas de desenhadores urbanos tomaram conta da Ribeira do Porto num "Passeio de Desenho". É o encontro mundial do grupo Urban Sketchers, que decorre até sábado.
TEXTO: Alison é escocesa, mas vive na Alemanha. Chegou na madrugada desta quarta-feira ao Porto para o Simpósio Internacional do grupo Urban Sketchers. Mãe e contabilista, há dois anos encontrou no desenho uma forma de registar o que ia acontecendo na sua vida – e à sua volta. Alison é um dos 800 participantes do encontro mundial que decorre até sábado (21) na Alfândega do Porto. “Posso desenhar no conforto de minha casa, mas adoro estar na rua e tornar-me parte da cidade. ” Quem o diz é Liz Steel. Há 11 anos descobriu o Urban Sketching e deixou a arquitectura para ensinar esta forma de desenhar em workshops por todo o mundo e na internet. Numa mesa de café, num banco de jardim ou nos transportes públicos, desenho a desenho, os urban sketchers imortalizam as paisagens, os indivíduos e os pormenores do quotidiano nos seus diários gráficos - assim se chama o caderno onde figuram os seus esboços. Os Urban Sketchers são um colectivo de autores que desenham as cidades onde vivem e os locais por onde viajam. Neste momento são mais de 120 mil pessoas no mundo que partilham esta paixão. Encontram-se regularmente para desenhar em grupo e estão associados em países de todo mundo. Liz está em viagem há dois meses e acaba de conhecer Anya Toomre. Anya conheceu Gabriel Campanário, fundador do Urban Sketchers, no ano passado no Simpósio em Chicago. Apaixonou-se por esta técnica e já fez dois dos cursos online de Liz. “Ela não faz ideia de quem eu sou, talvez reconheça o meu nome”, confessa a americana. Liz participou em todos os encontros internacionais – já lá vão nove edições – e está habituada a ser abordada por rostos desconhecidos. Como tudo, primeiro estranha-se, depois entranha-se. “Uma das melhores partes é contactar com estas pessoas que me conhecem, sabem como o meu cérebro funciona e ouvem as parvoíces que digo nos vídeos”, revela a australiana, de sorriso no rosto e caderno na mão. Numa década, Liz já preencheu 250 cadernos com rascunhos do seu dia-a-dia. Não diz aos alunos como ou que fazer – dá a cana (os conceitos) e ensina a pescar, o resto é com eles. Para a ex arquitecta, toda a gente pode tornar-se num desenhador urbano, é “como tocar piano”: uma questão de paciência e prática. Não se trata apenas de talento, é preciso aprender a olhar o mundo de uma forma diferente: “em vez de ver um edifício ou uma árvore, vemos formas e contornos”, explica. O feliz encontro de Liz e Anya não é único. Na verdade, o que mais se fez neste Sketchwalk ("Passeio de Desenho") desde o edifício da Alfândega até à ponte D. Luís I foi “dar caras aos nomes” que se conhecem da Internet. Nicola Doucedame tem 63 anos e quando perguntamos se estava a viajar sozinho respondeu “não, só com a minha esposa”. Mas nos poucos minutos em que conversamos, foram várias as pessoas que interromperam para dizer bonjour ao francês. “Conheço-os da internet, do Facebook”, justificou. Nicola é urban sketcher há cinco anos. Antes de se reformar era ilustrador e há uns anos abriu uma escola de arte para adultos, em Aix-en-Provence. Nesta técnica, procura surpresa. “Precisas de estar alerta e deixar-te levar pela surpresa do que está à tua volta, passar isso para o desenho”, afirma o francês enquanto dá os últimos retoques numa Serra do Pilar em aguarela. Próximo de Nicola, está Scott Renk, que fundou o grupo de Urban Sketchers no estado da Carolina do Norte. No simpósio, quer “absorver o máximo que puder” do contacto com os outros participantes. “Está ao rubro”, afirma o americano. E está mesmo: olhe-se por onde se olhar, não há espaços vazios na Ribeira do Porto. Nos bancos, no chão, de pernas penduradas para o rio, nas escadas e nas esplanadas, centenas de pessoas a desenhar. Uma paisagem difícil de esquecer, ainda mais para quem a olha com atenção e a transpõe no papel. Para Scott, desenhar é como escrever uma história. “Eu reduzo-o a três palavras: personagens, conflito e desenlace”, afirma, folheando as páginas do seu caderno. Das oito dezenas de participantes, duas vêm dos Estados Unidos e apenas 20% são portugueses. Filipe Almeida é engenheiro civil e descobriu o Urban Sketching Portugal (USkP) em 2012, através de uma amiga. “É tão simples como trazer um caderno e uma caneta, faz-se em qualquer lugar”, diz o lisboeta de 41 anos. Para Filipe, a inspiração encontra-se “cruzando esquinas e passeando na rua”, não dentro de quatro paredes. Luís Ferreira viu no voluntariado a oportunidade de participar no evento (o valor dos passes ia dos 120 aos 377 euros). “Comecei com o urban sketching porque achava que precisava de me soltar mais, tinha um estilo muito rigoroso e faltava-me expressividade”, conta o aluno da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Desenhar ao vivo obrigou o jovem a ser a “ser mais rápido e objectivo”, fundamentalmente para desenhar a figura humana. Só agora Isa Silva começa a gostar de desenhar pessoas. É de Lisboa mas assina a Torre dos Clérigos inclinada que serve de logótipo ao Simpósio. Diz que a ideia surgiu imediatamente após ter lido o regulamento do concurso. “É o símbolo da cidade e transformei-o numa torre curiosa que se inclina para espreitar os desenhos”, explica a artista visual. Há oito anos que Isa faz parte do grupo nacional de desenhadores urbanos, que conta já com mais de 200 “rabiscadores”, como lhes chama. Foi a liberdade do estilo que a atraiu para esta forma de fazer arte: “Não há regras como costumamos aprender na escola, aqui é precisamente o oposto. ”Quadrados, rectangulares, pequenos, grandes, horizontais ou verticais, a grande maioria prefere os blocos de desenho mas aos 72 anos Bob Laine prefere desenhar no tablet. “Quando desenhamos com caneta não podemos corrigir os erros, no iPad sim”, afirma. Em 2005, Bob teve um ataque cardíaco e deixou de trabalhar. Começou a pintar e chegou mesmo a vender vários quadros. Há dois anos participou no encontro internacional em Manchester e nunca mais parou. É impossível ter uma noção das vezes que o Cais de Gaia, a Serra do Pilar e a Ponte D. Luis I foram fotografados, mas é com certeza que se pode afirmar que nunca antes tantos olhares atentaram naquela parte da cidade do Porto enquanto as mãos desenhavam o que os olhos viam. Subscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público. O Simpósio Internacional de Desenhadores Urbanos é organizado pelos USkP e pela delegação do Norte e decorre até dia 21 de Julho na Alfândega do Porto. As primeiras 600 vagas para inscrições esgotaram em meia hora e contam-se mais de duas dezenas de nacionalidades presentes no evento que junta profissionais e amadores na partilha de conhecimentos e no aperfeiçoamento de técnicas. No total, vão ocorrer mais de uma centena de acções formativas, nomeadamente quatro workshops dirigidos por 36 instrutores e especialistas em várias áreas do desenho urbano, três dos quais são portugueses. Texto editado por Ana Fernandes
REFERÊNCIAS:
Palavras-chave escola ataque
Na jaula das hienas
Num relato moderno para o seu tempo, entre a crónica jornalística e a prosa poética, Valle-Inclán mostra-nos uma outra visão da guerra. (...)

Na jaula das hienas
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DATA: 2018-07-20 | Jornal Público
SUMÁRIO: Num relato moderno para o seu tempo, entre a crónica jornalística e a prosa poética, Valle-Inclán mostra-nos uma outra visão da guerra.
TEXTO: O prolífico dramaturgo, poeta e escritor galego Ramón del Valle-Inclán (1866-1936), filho tardio da Geração 98 (Miguel de Unamuno, Pio Baroja, Azorín, entre outros), representante do Modernismo espanhol, é um dos autores mais importantes da literatura hispânica da primeira metade do século XX. Originário da pequena aristocracia rural galega, desde cedo se dedicou à literatura — publicando muitas das suas obras em fascículos, em jornais e em revistas, antes de os fazer publicar em livro. Foi talvez por causa dessa sua veia “jornalística” que o governo francês o convidou, em 1915, a visitar a frente de guerra ocidental (a frente do Somme) e a escrever várias crónicas — o intuito era serem publicadas simultaneamente em jornais de vários países. Este convite chegou-lhe por intermédio do cônsul francês em Espanha — o seu amigo, tradutor e grande admirador, Jacques Chaumié — e não é dispicienda a ideia de que tenha sido feito por sua influência. Valle-Inclán saiu de Madrid no final de Abril de 1916, e instalou-se, em Paris. Foi nos dias do final de Maio e do começo de Junho que o escritor galego visitou a frente de guerra, as trincheiras, e voou sobre as linhas alemãs. “Os ecos da guerra enlaçam-se desde a costa nortenha até aos montes alsacianos!”Os relatos desta viagem aventurosa, escritos em duas partes, foram publicados alguns meses mais tarde, no jornal El Imparcial, em forma de folhetim: aconteceu entre Outubro de 1916 e Fevereiro de 1917. Meses depois, uma versão da primeira parte (consideravelmente reescrita), titulada A Meia-Noite. Visão Estelar de Um Momento de Guerra, foi publicada como livro. Autoria: Ramón del Valle-Inclán (Trad. Pedro Ventura) Assírio & Alvim Ler excertoConta Valle-Inclán na breve nota que antecede a narrativa, que era seu propósito condensar neste livro os variados e “diversos lances de um dia de guerra em França”. Mas para o fazer teria de estar em “diversos lugares” ao mesmo tempo, por isso todos os relatos “estão limitados pela presença geométrica do narrador”. Mas o escritor galego parece ter resolvido bem este problema de carácter formal ao adoptar uma espécie de visão desde o alto — para isto terá sido inspirador um reconhecimento aéreo da frente feito a bordo de um avião militar, que muito o terá impressionado (conta-se na introdução a este livro, da autoria do tradutor, que o voo incluiu o “sector de Ypres”, onde o Corpo Expedicionário Português viria a participar, em Abril de 1918, na chamada Batalha de La Lys). Subscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público. Valle-Inclán descreve a vida na frente de batalha, numa atmosfera lúgrube e funesta: as aldeias bombardeadas, as trincheiras, a morte. Em capítulos muito breves (raramente mais do que duas páginas), faz uso de múltiplos protagonistas — que aparecem, dizem por vezes uma ou duas frases, e logo desaparecem — num discurso fragmentado, e numa multiplicidade de cenários em que a única coisa que têm em comum é o cheiro da morte, como se aquela “guerra de trincheiras” se travasse dentro de uma “jaula de hienas”. “Dos bosques montanheiros da região alsaciana até à costa brava do mar nortenho, espreitam os exércitos agachados nos fossos do seu entrincheiramento, onde fede a morto como na jaula das hienas. ”É notório que ao escritor galego não interessa uma prosa épica, a narrativa ampliada de grandes batalhas, as grandes movimentações de exércitos com as consequentes grandes vitórias. Interessam-lhe os anónimos, os populares que são apanhados nas margens do conflito, os hospitais, as aldeias destruídas, os pequenos movimentos dentro das trincheiras, os mortos de ventre inchado e pernas negras que dão à costa e que os vivos não enterram mas deixam que “o vento os leve”, interessa-lhe sobretudo como nos relacionamos em ambiente trágico, interessa-lhe quem são aqueles marinheiros que rezam e que sonham. “São pescadores da Normandia e da Bretanha, moços crédulos, de olhos claros, almas infantis valentes para o mar, abertas ao milagre e temerosas dos mortos. Muitos rezam em voz baixa, lembrando-se das aparições nos cemitérios e nos pinhais das suas aldeias. ”Valle-Inclán foi autor de uma prolífica produção literária, ampla e por vezes complexa, usando todos os géneros mas sem nunca se cingir às suas normas. Com este A Meia-Noite. Visão Estelar de Um Momento de Guerra, num registo entre a crónica jornalística e a prosa poética, o escritor galego, mais uma vez, alterou o rumo artístico da sua obra; e iria torná-lo a fazer uns anos mais tarde com a publicação desse romance inovador que foi Tirano Banderas.
REFERÊNCIAS:
Palavras-chave morte guerra filho espécie corpo morto
Em São João da Madeira há um festival de se lhe tirar o chapéu
Este fim-de-semana, o centro da cidade vai animar-se com cerca de 60 performances artísticas. Da música ao novo circo, há muito para ver num programa que gira à volta da celebração da indústria chapeleira. (...)

Em São João da Madeira há um festival de se lhe tirar o chapéu
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DATA: 2018-07-20 | Jornal Público
SUMÁRIO: Este fim-de-semana, o centro da cidade vai animar-se com cerca de 60 performances artísticas. Da música ao novo circo, há muito para ver num programa que gira à volta da celebração da indústria chapeleira.
TEXTO: O município de São João da Madeira quer celebrar a sua tradição na indústria chapeleira e para o fazer preparou um festival urbano que promete animar o centro da cidade, a partir de hoje e até domingo. Chama-se Festival Hat Weekend e, como seria de esperar, coloca o chapéu no centro das atenções. Em cada performance e exibição, este será um assessório indispensável, “o que obrigou os artistas a adaptarem ou a criarem de raiz as suas apresentações”, destaca Suzana Menezes, chefe da divisão de Cultura da câmara municipal. À espera do público, no espaço público — entre o Museu da Chapelaria e a Praça Luís Ribeiro —, estarão cerca de 60 performances. Instalações artísticas, espectáculos e performances de teatro, novo circo e música, experiências imersivas narrativas, arruadas e espectáculos das mais antigas bandas de música e de renovadas confrarias portuguesas são algumas das propostas do programa que arranca às 18h00 de hoje (com a inauguração da primeira obra do circuito de arte urbana). Algumas das propostas que serão apresentadas ao público são estreias absolutas, uma vez que foram encomendadas de propósito para o festival. É o caso do espectáculo Tangran e o Chapeleiro, criado pela Companhia Art’lier, e que combina video mapping, teatro-circo e multimedia, entre realidade e ficção, para fazer um elogio ao património da chapelaria (será apresentado hoje, pelas 22h30). Recorrendo à figura de um “chapeleiro louco”, poetizado em torno do fantástico universo de Lewis Carroll [autor de Alice no País das Maravilhas], este espectáculo constitui “um momento de reflexão sobre a indústria da chapelaria e a figura do chapeleiro”, realça Suzana Menezes. “No século XIX havia um grave problema de demência dos chapeleiros motivado pelo mercúrio que eles inalavam para tratar o feltro e este ‘chapeleiro louco’ do espectáculo é a representação dessa parte da história”, acrescenta a também directora do festival. Ao longo de todo o fim-de-semana, estará patente, na Praça Luís Ribeiro, a Feira do Feltro e do Chapéu — na qual artesãos, criativos, designers e lojas irão expor e vender os seus produtos —, que concitará as atenções a par da feira de doçaria Chapéus Doces. Os concertos, claro está, são outra das apostas fortes do programa, estando previstas as actuações da Cottas Club Jazz Band, Orquestra Improvável, Mimo’s Dixie Band e Banda de Música de São João da Madeira, entre outros grupos. Subscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público. Para o Hat Weekend foram também convidadas as confrarias gastronómicas que usam chapéu. Amanhã, a partir das 15h00, reúnem-se em São João da Madeira, “transformando a cidade no grande palco das especificidades identitárias de várias regiões portuguesas”, assegura a organização do festiva. As confrarias farão um desfile entre o Museu da Chapelaria e a Praça Luís Ribeiro, acompanhadas pela banda de música do município. No domingo, igualmente a partir das 15h00, o mesmo formato irá ser seguido com bandas musicais de todo o país que tenham como elemento comum o uso de chapéu no seu fardamento oficial. Segunda edição, dez anos depoisEsta é já a segunda edição do Festival Hat Weekend, muito embora aconteça dez anos depois da primeira. “Fizemos uma primeira experiência em 2008, na sequência da abertura do Museu da Chapelaria, em 2005, e que serviu para testarmos o conceito”, enquadra Suzana Menezes. Não obstante os resultados positivos, o evento acabou por não ter seguimento nos anos seguintes. O motivo? “Nestes dez anos, São João da Madeira teve dois executivos municipais diferentes, que já cá não estão. Só faria sentido serem os próprios a apontar as razões que levaram a que o festival não tivesse acontecido nos anos seguintes”, argumenta a directora do Hat Weekend. Passado à parte, importa o presente e também o futuro, uma vez que o “festival já tem igualmente garantida a edição do próximo ano”, adianta.
REFERÊNCIAS:
Palavras-chave cultura circo
Terapia genética pré-natal corrigiu erro que causa doença rara
Experiência em ratinhos demonstrou que é possível activar o gene que produz uma enzima que não está presente nas pessoas com doença de Gaucher, que é rara e nas suas formas mais graves pode ser fatal. (...)

Terapia genética pré-natal corrigiu erro que causa doença rara
MINORIA(S): Animais Pontuação: 2 | Sentimento 0.3
DATA: 2018-07-20 | Jornal Público
SUMÁRIO: Experiência em ratinhos demonstrou que é possível activar o gene que produz uma enzima que não está presente nas pessoas com doença de Gaucher, que é rara e nas suas formas mais graves pode ser fatal.
TEXTO: Uma equipa de cientistas conseguiu, numa experiência com ratinhos, evitar o desenvolvimento da forma mais grave da doença de Gaucher através de uma intervenção pré-natal. Os cientistas usaram um vírus para conseguir chegar até ao cérebro dos ratinhos ainda em gestação e “acordar” um gene que produz a enzima que não está presente nas pessoas que sofrem desta doença rara. O artigo foi publicado na última edição da revista Nature Medicine. A doença de Gaucher é uma doença genética e autossómica recessiva, ou seja, para a desenvolver é preciso herdar as duas cópias “com defeito” do gene que lhe está associado. Em Portugal, apesar de alguns especialistas acreditarem que a doença está subdiagnosticada, há pouco mais de 100 pessoas identificadas. As manifestações menos graves da doença têm desde há alguns anos um tratamento que se baseia na administração da enzima em falta. Tudo porque se descobriu que a causa desta doença era a deficiente produção de uma enzima que “capta e recicla” determinadas substâncias nas células. Sem este agente de limpeza a trabalhar numa espécie de “centro de reciclagem” que temos nas células (e que se chama lisossoma), há substâncias prejudicais (produtos químicos gordurosos) que se acumulam. O resultado são sintomas como o inchaço do fígado e baço, graves problemas ósseos, dor, anemia, fadiga, entre outras manifestações da doença que podem afectar muito a qualidade de vida destes doentes. E se para algumas formas menos graves da doença de Gaucher já existe o tal tratamento de reposição enzimática, nas formas mais graves esta doença neurodegenerativa de início precoce pode não ter tratamento e ser mesmo fatal. Foi precisamente para cenário mais grave que os cientistas apontaram o alvo de uma terapia genética. E como a manifestação é bastante precoce, quiseram fazê-lo numa fase pré-natal, quando os ratinhos ainda eram fetos e estavam dentro do ventre. O método pode parecer assustador, mas resultou. Numa intervenção cirúrgica, os cientistas injectaram no cérebro dos fetos dos ratinhos (modelos animais da doença de Gaucher, incapazes portanto de produzir a enzima cuja deficiência a caracteriza) um vector viral que foi especialmente concebido para “acordar” o gene que produz a enzima em falta. Simon Waddington, investigador no University College de Londres e na unidade de investigação de terapia genética antiviral na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Witswatersrand, em Joanesburgo (África do Sul), é o primeiro autor do artigo que relata a experiência que concluiu que os animais tratados no útero com esse vector exibiram uma degeneração cerebral inferior e viveram mais tempo quando comparados com ratinhos que não foram submetidos a este tratamento. O artigo especifica que os ratinhos não tratados manifestaram sintomas da doença e desenvolveram uma neurodegeneração fatal em apenas 15 dias. Por outro lado, 18 semanas após o tratamento, os ratinhos que receberam a terapia genética mostravam sinais de boa saúde, “activos e com total mobilidade”. Com é fácil de imaginar, uma intervenção deste género com recurso a uma injecção intracraniana, consideravelmente invasiva e que acarretaria sérios riscos, não seria transponível para fetos humanos. Assim, para já e num passo em direcção a uma eventual futura aplicação clínica, os investigadores também desenvolveram métodos que passaram por usar ultra-sons para guiar e orientar a entrega de vectores semelhantes de transferência de genes para os cérebros de primatas não humanos no útero. “Este estudo tinha dois elementos. Por um lado, a demonstração de eficácia terapêutica em ratinhos e, por outro, a demonstração da eficácia técnica (da terapia genética fetal) em humanos”, explica Simon Waddington ao PÚBLICO. O investigador adianta que o seu trabalho permite para já concluir que “a terapia genética fetal para doenças letais neurodegenerativas de início precoce é biologicamente viável e tecnicamente possível” e também “fornece provas de que a doença de Gaucher pode ser tratável por terapia genética”. Agora, há novos desafios pela frente. Para os ensaios clínicos em humanos, o cientista sugere o recurso a um vector que já tenha demonstrado eficácia pós-natal, como é o caso, exemplifica, da terapia genética para a atrofia muscular espinhal de tipo I. Para optimizar a técnica, Simon Waddington adianta que já está a trabalhar para encontrar um vector que possa ser usado em ensaios clínicos de terapia genética em humanos com doença de Gaucher na fase pós-natal. Quais os principais obstáculos de uma intervenção deste género nos humanos? A intervenção teria de ser realizada “por obstetras especializados em ecografia, uma vez que não seria tão rotineira quanto uma única injecção intravenosa após o nascimento”, responde o investigador, sublinhando, no entanto, esta abordagem na fase pré-natal permitiria que o gene fosse “entregue mais eficientemente do que após o nascimento”. Subscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público. O cientista adianta que não foram observados efeitos colaterais desta intervenção. “O único lado negativo foi que não curamos completamente os ratinhos, mas esperamos que possamos melhorar isso com vectores optimizados. Existe sempre um risco pequeno, mas finito, com injecção fetal, de causar um parto prematuro. Na terapia genética fetal há preocupações de que o gene possa passar para a linha germinativa, mas isso também é uma preocupação com a terapia genética pós-natal”, afirma. A equipa sublinha que são necessárias mais investigações e experiências para, entre outras dúvidas, esclarecer por exemplo a duração do efeito desta terapia genética, ou seja, por quanto tempo é que os genes “acordados” continuam a produzir a enzima. E, frisa ainda, os testes agora deverão ser feitos em sistemas nervosos centrais maiores do que o dos ratinhos, neste caso de primatas não humanos. Mais uma vez, Simon Waddington apoia-se em experiências anteriores que usaram com sucesso a terapia genética noutras doenças e aponta o exemplo do “efeito duradouro observados nos lactentes tratados para atrofia muscular espinhal (com mais de dois anos) e hemofilia (mais de seis anos)”. “No entanto, estamos no reino da medicina experimental humana e, por isso, só descobriremos com o tempo”, conclui. Além da duração do efeito da terapia, num pequeno resumo da Nature Medicine sobre este artigo fica o alerta para o facto de estas abordagens de terapia genética exigirem diagnósticos precoces e muito precisos da doença numa fase pré-natal.
REFERÊNCIAS:
Palavras-chave humanos doença género estudo espécie
Da mera reabilitação ao foco nas artes multimédia, já há projectos para S. Geraldo
Hoje inactivo, o cineteatro vai-se reinventar como coração das artes multimédia, categoria que elevou Braga a Cidade Criativa da UNESCO. Com mais ou menos foco na tecnologia, já há quatro projectos preliminares apresentados para o ‘novo’ S. Geraldo, com verbas que se estendem dos 2,8 aos 4,8 milhões de euros. (...)

Da mera reabilitação ao foco nas artes multimédia, já há projectos para S. Geraldo
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DATA: 2018-07-20 | Jornal Público
SUMÁRIO: Hoje inactivo, o cineteatro vai-se reinventar como coração das artes multimédia, categoria que elevou Braga a Cidade Criativa da UNESCO. Com mais ou menos foco na tecnologia, já há quatro projectos preliminares apresentados para o ‘novo’ S. Geraldo, com verbas que se estendem dos 2,8 aos 4,8 milhões de euros.
TEXTO: Com uma fachada ainda intacta, voltada para o Largo Carlos Amarante, mas um interior degradado, o cineteatro S. Geraldo pode, num futuro próximo, recuperar a dignidade, reabrindo ao público enquanto sala que mantém uma configuração mais similar àquela que acolheu os seus primeiros espectadores, em 1917, tendo uma plateia com 350 lugares e um balcão com 192 e custando 2, 8 milhões de euros (sem IVA). Mas, com um investimento de 4, 8 milhões, também sem IVA, o edifício também pode vir a albergar um espaço ora com um auditório até 400 lugares, ora com um espaço em pé para 900 pessoas, coroado com um aumento de volumetria para acolher um “território” de 368 metros quadrados dedicados exclusivamente às artes multimédia, campo que valeu à cidade o reconhecimento da UNESCO, a 31 de Outubro de 2017. Estas são duas das quatro versões preliminares apresentadas ao público, nesta segunda-feira, no Gnration, para requalificar o S. Geraldo, edifício pertencente à Arquidiocese de Braga que se vai transformar num espaço cultural, depois de arrendado à Câmara. Não sendo ainda certo que o projecto final de reabilitação seja qualquer um dos projectos divulgados, a coordenadora da candidatura de Braga a Cidade Criativa da UNESCO, Cláudia Leite, admitiu que a ideia mais cara é a que valoriza mais o espaço: pode acolher concertos, espectáculos e ‘performances’, e, ao mesmo tempo, um “espaço único na Península Ibérica” a nível das artes multimédia. A também administradora do Theatro Circo reconheceu, no entanto, que, apesar de estar a par de um financiamento do programa Horizonte para reabilitação de edifícios, não tem a certeza se haverá dinheiro para avançar e se essa proposta se enquadra até no posicionamento desejado pela autarquia. Caso seja construída, essa sala, acrescentou o arquitecto Gonçalo Louro, um dos autores dos projectos provisórios, vai funcionar como uma espécie de “black box”, dotada com condições técnicas para acolher obras que envolvam o espectador numa “experiência audiovisual imersiva”. Das quatro opções, há uma outra que prevê uma nova sala com esse intuito, mas à custa do balcão da sala, retirando, ao mesmo tempo, capacidade à sala principal – teria 238 lugares. Esta opção está, por isso, praticamente excluída, admitiu Cláudia Leite. “Achamos que não faria muito sentido. Essa versão é a mais limitadora. Não faz muito sentido a recuperação nesse contexto”, considerou. A outra versão divulgada, com um custo a rondar os 3, 2 milhões, aproveita o facto de o S. Geraldo estar neste momento sem auditório, para criar um auditório com bancada retráctil até 420 lugares e um espaço em pé para 750 pessoas, ao qual se juntam os lugares disponíveis no balcão.
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Entidades UNESCO
Mais de 400 baleias morrem na costa da Nova Zelândia
As autoridades neozelandesas estão a tentar salvar cerca de 100 baleias-piloto que encalharam mas ainda estão vivas. (...)

Mais de 400 baleias morrem na costa da Nova Zelândia
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DATA: 2017-02-14 | Jornal Público
SUMÁRIO: As autoridades neozelandesas estão a tentar salvar cerca de 100 baleias-piloto que encalharam mas ainda estão vivas.
TEXTO: Centenas de baleias morreram durante a madrugada desta sexta-feira, na Nova Zelândia, depois de terem ficado encalhadas em Farewell Spit, uma remota língua de areia em Golden Bay, na Ilha do Sul. O Departamento de Conservação da Natureza neozelandês (DOC, na sigla inglesa) contabilizou 416 baleias-piloto encalhadas no local. De acordo com o Guardian, mais de 70% tinham morrido até ao início da manhã desta sexta-feira. Uma equipa do DOC está, neste momento, a tentar salvar as cerca de 100 baleias que ainda estão vivas. Os funcionários neozelandeses e os cerca de 500 voluntários que rumaram ao local conseguiram que quase todos os animais sobreviventes se soltassem do banco de areia pelas 10h30 (hora local), altura em que a maré estava alta. No entanto, durante a tarde, cerca de 90 baleias voltaram a dar à costa. Agora, o DOC e os voluntários tentam manter as baleias vivas até à próxima maré alta, prevista para o meio-dia de sábado. Peter e Ana Wiles foram dois dos primeiros voluntários a chegar ao local e descreveram o que encontraram ao Fairfax New Zealand: várias baleias mortas a flutuar, com as barrigas brancas à superfície, e o som discreto dos sobreviventes. "Foi uma das coisas mais tristes que já vi, tantas criaturas sencientes perdidas na costa", disse Peter Wiles. Durante a manhã, o DOC pediu a potenciais voluntários que faltassem ao trabalho e à escola e se dirigissem, de imediato, para Farewell Spit, relata o Fairfax New Zealand. Pediu, também, que trouxessem toalhas, lençóis e baldes, para conseguirem manter os animais frios, húmidos e calmos. O responsável pela equipa do DOC, Andrew Lamason, disse ao Guardian que este foi o maior grupo de baleias que deram à costa em Golden Bay. A zona é propícia a incidentes deste género, por causa das águas pouco profundas, mas normalmente registam-se casos isolados de uma ou duas baleias. Por ano, o DOC recebe em média 85 alertas para animais encalhados. Lamason explica ainda que é normal que as baleias que dão à costa uma vez voltem ao mesmo local. Como são animais sociais, não gostam de se afastar do resto do grupo. "Estamos a tentar levá-las para o mar, guiando-as, mas elas não aceitam indicações, vão para onde querem. A menos que tenham um conjunto de líderes fortes que decidam ir para o mar, as baleias restantes vão tentar manter-se com o grupo na praia", disse ao Guardian. Apesar de ser um acontecimento comum, o responsável alerta as pessoas mais sensíveis para que se mantenham longe da praia. A tarefa de voluntário, nestas situações, é emocionalmente desgastante: "Só conseguimos lidar com voluntários robustos, não com aqueles que vão colapsar, o que acontece com bastante frequência”. Subscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público. Os corpos das 300 baleias mortas que ainda se encontram na praia serão encaminhados para o alto mar, mas, neste momento, a prioridade da equipa é manter as restantes baleias vivas. As causas deste incidente, como noutros do género, não são claras. Há vários factores que potenciam esta situação, como a idade e a saúde de animais particularmente vulneráveis que se perdem e dão à costa. Neste caso, no entanto, e dadas as dimensões, o mais provável é tratar-se de um erro de navegação do grupo, que se aproximou da costa para encontrar comida ou para evitar cruzar-se com predadores como as orcas. De acordo com os dados do Project Jonah, um grupo que se foca no salvamento das baleias, a Nova Zelândia soma um dos maiores números de cetáceos encalhados: em média, 300 baleias e golfinhos dão à costa a cada ano. Este é o terceiro maior incidente do tipo na história da Nova Zelândia. Em 1918, 1000 baleias deram à costa nas Ilhas Chatham e, em 1985, 450 deram à costa na Ilha da Grande Barreira, ao largo de Auckland. E só em 1840, mais de 5000 baleias e golfinhos deram à costa na Nova Zelândia, de acordo com os registos históricos do DOC. Em 2012, 22 animais morreram, nas mesmas condições, também em Farewell Spit.
REFERÊNCIAS:
No tripé de Afonso Chaves, tanto cabia o teodolito como a câmara fotográfica
A obra fotográfica do naturalista açoriano Francisco Afonso Chaves combina a curiosidade do cientista e a sensibilidade de um artista. Na segunda de uma trilogia de exposições sobre um legado até agora desconhecido, o Museu de História Natural, em Lisboa, mostra uma rara fusão entre arte e ciência. (...)

No tripé de Afonso Chaves, tanto cabia o teodolito como a câmara fotográfica
MINORIA(S): Animais Pontuação: 2 | Sentimento 0.4
DATA: 2017-02-14 | Jornal Público
SUMÁRIO: A obra fotográfica do naturalista açoriano Francisco Afonso Chaves combina a curiosidade do cientista e a sensibilidade de um artista. Na segunda de uma trilogia de exposições sobre um legado até agora desconhecido, o Museu de História Natural, em Lisboa, mostra uma rara fusão entre arte e ciência.
TEXTO: O teodolito foi mais do que um companheiro de estrada para os trabalhos de campo de Francisco Afonso Chaves (1857-1926). Este instrumento de precisão óptico tornou-se uma presença regular nas fotografias captadas pelo naturalista açoriano, como se fosse um personagem em nome próprio, que não só era utilizado para medir a natureza, mas também para dizer que a ciência se podia fundir com ela. O grande e pesado tripé de madeira que tantas vezes serviu para sustentar aquele aparelho (auxiliar de saberes tão diversos como a geodesia, a navegação, a construção civil, a agricultura ou a meteorologia) também serviu amiúde para segurar uma câmara fotográfica. O que quer dizer que ao longo de quase três décadas, na viragem do século XIX para o XX, Afonso Chaves tanto procurou a exactidão da ciência, como a estética e a conceptualização da fotografia. Não é de estranhar, por isso, que um enorme tripé armado com um teodolito seja uma presença marcante na segunda parte de A Imagem Paradoxal, a exposição consagrada à obra fotográfica pioneira de Francisco Afonso Chaves, que pode ser vista a partir de hoje no Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUNHAC), em Lisboa, até 28 de Maio. Depois da exposição inaugural no Museu do Chiado (concentrada na revelação das múltiplas facetas fotográficas de um autor praticamente desconhecido em Portugal e que pode ainda ser vista até 26 de Fevereiro), neste segundo tomo (o terceiro é nos Açores a partir de 23 de Março), a atenção dos comissários Victor dos Reis e Emília Tavares centrou-se nas diferentes valências do seu trabalho como naturalista, particularmente no impulso decisivo que deu ao desenvolvimento da meteorologia e naquela que é considerada uma “rara” interacção fusão entre arte e ciência à época em Portugal. Como se a presença (e a imponência) do tripé científico-fotográfico na sala não bastasse, a primeira série de imagens apresentadas (Ilha de S. Jorge) ajuda a afastar quaisquer dúvidas sobre as virtudes da ligação entre a “curiosidade do cientista” e “a sensibilidade do fotógrafo” tão presentes em Afonso Chaves. Na primeira imagem, surgem os três pés de madeira altivos, registados de baixo para cima, ainda sem nada, nem ninguém (apenas paisagem açoriana, com uma igreja ao fundo). Na imagem seguinte, aparece um homem. E na terceira fotografia, já são dois homens. As fotografias de Afonso Chaves costumam estar bem legendadas (numeração, localização, data) e é comum serem complementadas pelos dados científicos obtidos nos equipamentos. Mas depois de cumprida essa tarefa que procura a precisão, o olhar do cientista parece deixar-se guiar pelas emoções. Na mesma série de São Jorge, surgem fotografias como a que mostra três crianças a brincar com uma prancha de madeira na água da Lagoa Pequena da Caldeira de Santo Cristo. Ou a que mostra a textura do cascalho a desaparecer na planura da água da mesma Lagoa Pequena (sempre com uma igreja ao fundo). E aqui não há só a virtude da composição e da “oportunidade fotográfica”, mas o sentido narrativo e a vontade de afirmar o trabalho científico como um campo poroso e receptivo à visita da criatividade, do encanto e do deslumbramento. Victor dos Reis, que com Emília Tavares guiou uma visita para o PÚBLICO, fala com entusiasmo deste conjunto porque é — entre outros de um espólio de cerca de sete mil imagens quase só registadas no processo de estereoscopia — representativo da tese de que Francisco Afonso Chaves conseguiu erguer uma obra fotográfica com “enorme valor estético” e que ultrapassa a sua natureza meramente técnica ou puramente instrumentaldocumental. “[Na Lagoa Pequena, Afonso Chaves] começa com um tipo de fotografia de puro registo, que será completada em diário, onde surgem medições, horas. . . mas, depois disso, começa logo a divagar. Nesta série, são mais as fotografias de paisagem do que as que se podem considerar como instrumentos de trabalho. ”Apesar do aturado trabalho de investigação que ao longo dos últimos anos Victor dos Reis (presidente da Faculdade de Belas Artes de Lisboa) tem dedicado ao naturalista-fotógrafo açoriano, a extensão e alcance da sua obra (na fotografia e na ciência) ainda está por balizar. E a prova disso surgiu nos meses que antecederam a produção desta exposição, quando em locais diferentes apareceram mais documentos e fotografias da sua autoria. Só no Observatório Astronómico de Lisboa foram descobertos 17 documentos (entre cartas, desenhos, relatórios e esquemas) e 21 fotografias (quase todas positivos), das quais quatro são inéditas. E a cereja no topo do bolo: três pequenas caixas de madeira para o envio por correio de fotografias estereoscópicas em vidro, esquema que Victor dos Reis desconhecia em Afonso Chaves e que o leva a acreditar que terá sido usado para mandar imagens para outros dos seus correspondentes nacionais e internacionais, que se contam às centenas, entre os quais reputados cientistas e futuros prémios Nobel. Todos estes documentos estão expostos no MUNHAC, onde foram incluídos vários instrumentos de medição, balões meteorológicos e espécimes de animais da colecção do Museu da rua da Escola Politécnica, que dialogam com muito do conteúdo das fotografias de Afonso Chaves. Para Emília Tavares, esta descoberta é demonstrativa dos tentáculos que o trabalho do naturalista açoriano foi ganhando: “Há aqui um lado rizomático na obra dele que é surpreendente. Não é muito comum alguém ser tão abrangente como ele foi. ”A exposição no MUNHAC está organizada segundo três grandes grupos. No primeiro, “Observar”, revelam-se os instrumentos e as infra-estruturas que à época serviam para a observação da natureza e dos fenómenos atmosféricos. Aparecem vários postos meteorológicos nos Açores, que o próprio ajudou a fundar, e os que visitou no estrangeiro. É aqui que aparelhos como o teodolito assumem uma persona e uma “pose” dialogante com a imensa paisagem açoriana. Não sendo um retratista regular, Afonso Chaves também experimentou este género, sobretudo com os cientistas seus pares vindos de todo mundo. No núcleo “Registar, Fotografar e Mapear” vemos as várias utilizações que deu à fotografia estereoscópica, um suporte ideal para um visionamento “imersivo e demonstrativo” do seu trabalho de campo. Neste núcleo foram incluídas aquelas que são talvez as imagens mais divulgadas de Afonso Chaves, que mostram vários momentos da caça da baleia. Em 1890, a revista Journal de l’Anatomie et de la Physiologie. . . publicou um artigo assinado por G. Pouchet e Francisco Afonso Chaves, no qual se descrevem estas imagens “como as primeiras fotografias científicas do cachalote”, científicas porque dão a escala através de um homem em cima do animal morto (mais de dez anos depois, a Illustração Portugueza reproduziria parte dessas imagens). É neste núcleo que está uma das séries mais intrigantes de toda exposição, a que mostra a cabeça de um peixe “enfeitada” com o que parecem ser barbatanas, aquilo que Victor dos Reis classificou como “um exercício de ironia sobre a categoria natureza-morta”. Subscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público. Por último, o núcleo “Arquivar” revela o prazer da viagem e o gozo em registar a maneira como os museus de história natural organizavam e apresentavam em público as suas colecções. E até aqui, num mundo aparentemente enfadonho de salas cravadas de espécimes inertes, a sensibilidade fotográfica de Afonso Chaves vem ao de cima. Como quando aproxima a câmara aos frascos de éter, abstraindo o seu conteúdo cheio de seres difíceis de identificar. Ou quando “tropeça” numa misteriosa estátua amputada de braços e pernas, “perdida” num jardim de Londres, uma imagem capaz de nos causar estranheza e repulsa. Seja onde for, seja sobre o que for, as fotografias de Afonso Chaves parecem sempre capazes de nos provocar. E, a avaliar pelo muito de extra-científico desta exposição, não é de excluir que tenha sido essa a sua intenção.
REFERÊNCIAS:
“O rio Douro foi o local que idealizei para correr numa prova destas”
Duarte Benavente, o único piloto português no Mundial de Fórmula 1 em Motonáutica, garante que está mais competitivo, mas lamenta a falta de apoio??. (...)

“O rio Douro foi o local que idealizei para correr numa prova destas”
MINORIA(S): Animais Pontuação: 2 | Sentimento 0.0
DATA: 2015-05-01 | Jornal Público
SUMÁRIO: Duarte Benavente, o único piloto português no Mundial de Fórmula 1 em Motonáutica, garante que está mais competitivo, mas lamenta a falta de apoio??.
TEXTO: Há 16 anos que voa baixinho sobre mares e rios a bordo do seu barco com perto de 400 cavalos que compete no Campeonato Mundial de Fórmula 1 em Motonáutica. Aos 44 anos, Duarte Benavente é o único português a participar num dos mais espectaculares e emocionantes desportos aquáticos, em que os barcos atingem cerca de 250km/h e os pilotos estão sujeitos a forças G superiores a 4. 5, e assume um papel decisivo no regresso, em Agosto, da competição a Portugal, que terá pela primeira vez as margens do rio Douro como cenário. Estreou-se no Campeonato do Mundo de F1 de Motonáutica em 1999 e é actualmente o terceiro piloto mais experiente da competição. Em que ponto está a sua carreira?Está numa fase excelente, de conjugação de experiência com, ainda, uma boa capacidade física. Com as dificuldades que vou tendo todos os anos, as coisas têm que acontecer mais espaçadas no tempo e tem que ser tudo planeado, ao longo de três ou quatro épocas. Com o equipamento e experiência que tenho, estou numa fase onde, penso, vou conseguir voltar a disputar os lugares cimeiros. O francês Philippe Chiappe, actual campeão do Mundo, venceu o primeiro título aos 52 anos. Ainda tem algum tempo para superá-lo. Sim, mas ele está numa excelente forma física. É um desportista, um atleta de alta competição. De outra forma, não sei se teria conseguido. A motonáutica, nesse aspecto, não se assemelha à Fórmula 1 em automóveis. Embora seja um desporto que exige muito do corpo dos pilotos, consegue-se competir, desde que se esteja em boa forma física, até aos 55 anos. Num barco que atinge velocidades que se aproximam dos 250km/h e onde os pilotos estão sujeitos a forças G superiores a 4. 5, cada corrida é um enorme desafio mental. É preciso ter espírito competitivo. Gosto da competição directa, de velocidade. Estou certo que 99% dos meus colegas pensam como eu. É isso que nos faz ter esta vida. Nestes 16 anos de F1, subiu cinco vezes ao pódio, mas continua sem vitórias. O que falta?Falta ter na altura certa o equipamento certo. Há equipas que se quiserem trocar tudo de uma prova para a outra, seja staff ou equipamentos, fazem-no. Eu não tenho essa possibilidade. Sei que tenho o respeito de todos os pilotos a quem já ganhei corridas em outras categorias. Com as mudanças que estou a introduzir na minha equipa, o objectivo de chegar às vitórias passará a ser realizável. Para além de piloto, é proprietário da F1 Atlantic Team, uma das nove equipas do Mundial. O que lhe dá mais dores de cabeça? Comandar o barco ou a equipa?Estar no barco não me dá dores de cabeça. É um prazer e um privilégio. A equipa também não me tem dado. O que me dá dores de cabeça é ter que explicar este projecto às pessoas e viver num país onde não existe abertura para ele. Estamos num país onde tudo o que é publicidade está centralizado em um ou dois desportos e é isso que me deixa desiludido. Quantas pessoas trabalham na F1 Atlantic Team e qual o orçamento anual da equipa?Tirando a equipa da China, de Abu Dhabi e do Qatar, em que os pilotos e toda a estrutura são pagos, nas restantes cada piloto tem o seu staff. No caso da F1 Atlantic Team, o segundo piloto é responsável pelo pagamento de todo o orçamento da sua parte. No fundo, são duas equipas dentro de uma, mas é evidente que trabalhamos em conjunto e delineamos os mesmos objectivos. Os orçamentos não são idênticos, mas andam na ordem dos 100 mil euros por piloto. A partir da próxima corrida, que será em Junho, a F1 Atlantic Team terá o apoio oficial do construtor da CTIC China Team, equipa do actual campeão do Mundo. O que vai mudar?Esse construtor só tem essa equipa a correr com ele e foi-me proposto ficar a trabalhar com eles, visto que queriam ter mais um piloto competitivo para analisarem dados e terem um melhor feedback sobre a evolução dos barcos. Com este acordo, os barcos, que têm actualmente um custo brutal, serão adquiridos por mim ao preço do material e o construtor vai acompanhar-nos durante o ano fazendo o desenvolvimento e alterações que achar serem necessárias. Esta ligação vai dar-me muitas vantagens. Terá agora o equipamento certo no momento certo?Será mais um passo que me vai tornar mais competitivo, mas ainda não me coloca ao nível das equipas de ponta, que trabalham com orçamentos de 500 a 600 mil euros por ano. Não é tudo, mas ajuda muito. O Philippe Chiappe tem um dos três melhores engenheiros de motores do mundo e tem um sueco a trabalhar em exclusivo na preparação das hélices. Tem algumas vantagens que eu ainda não consigo ter. É um passo em frente, mas há uma diferença que não desaparece apenas com a troca do barco.
REFERÊNCIAS:
Palavras-chave ajuda corpo
Trabalhadores da Saúde querem fazer greve a 15 de Maio
Grupo de manifestantes ocupou instalações do ministério, em Lisboa, e exige reunir-se com o ministro Paulo Macedo. (...)

Trabalhadores da Saúde querem fazer greve a 15 de Maio
MINORIA(S): Animais Pontuação: 2 | Sentimento 0.0
DATA: 2015-05-01 | Jornal Público
SUMÁRIO: Grupo de manifestantes ocupou instalações do ministério, em Lisboa, e exige reunir-se com o ministro Paulo Macedo.
TEXTO: A Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas vai entregar na terça-feira um pré-aviso de greve nacional de 24 horas dos trabalhadores da saúde para o dia 15 de Maio. Segundo o dirigente sindical Luís Pesca, esta foi uma das decisões já tomadas pelos trabalhadores que estão desde as 15h desta segunda-feira concentrados na entrada do Ministério da Saúde, em Lisboa. Entre as exigências que motivam a marcação da greve está a reposição das 35 horas de trabalho semanal e a criação de carreira de técnico auxiliar de saúde. Cerca de três dezenas de trabalhadores da saúde ocuparam pelas 15h a entrada do Ministério da Saúde, em Lisboa, para exigir a marcação de reunião com o ministro Paulo Macedo. Luís Pesca, da federação, disse à Lusa que foi enviada no dia 17 deste mês uma carta ao ministro a exigir a marcação de uma reunião, tendo Paulo Macedo remetido para a secretaria de Estado, que até hoje não deu qualquer resposta. Os trabalhadores pretendem manter-se na entrada do Ministério da Saúde até que haja uma resposta por parte do governante. Com o objetivo de insistir no pedido de reunião, os sindicalistas entregaram esta segunda-feira no ministério uma nova carta em que pedem a Paulo Macedo uma reunião "com carácter de urgência". Questionado sobre se a marcação de uma reunião será motivo para retirar a greve prevista para 15 de Maio, o sindicalista Luís Pesca disse que isso só ocorrerá se o ministério "cumprir todas as exigências". Além da reposição das 35 horas semanais e da criação da carreira de técnico auxiliar de saúde, as reivindicações dos trabalhadores passam pela criação do suplemento de risco, penosidade e insalubridade e pela valorização das carreiras de técnico de diagnóstico e terapêutica e técnico superior de saúde. O sindicato pretende ainda discutir com Paulo Macedo o processo de municipalização da saúde.
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Tempo Maio
IMI progressivo penaliza proprietários e prejudica investimento
Operadores sublinham que medida afasta investimento e influenciará outros sectores da economia, como turismo e comércio de rua (...)

IMI progressivo penaliza proprietários e prejudica investimento
MINORIA(S): Animais Pontuação: 2 | Sentimento 0.0
DATA: 2016-06-02 | Jornal Público
SUMÁRIO: Operadores sublinham que medida afasta investimento e influenciará outros sectores da economia, como turismo e comércio de rua
TEXTO: Marc Barros e Fernanda CerqueiraA anunciada intenção do Governo introduzir taxas progressivas no Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) deve conduzir ao fim do Imposto de Selo (IS) sobre casas de luxo. A progressividade deverá entrar em vigor com o Orçamento do Estado para 2017, o que significa que se aplicará ao IMI a pagar em 2018, por referência ao ano anterior. Atualmente, os proprietários de imóveis com afetação habitacional, cujo Valor Patrimonial Tributário (VPT) seja igual ou superior a um milhão de euros, são tributados anualmente, em sede de Imposto do Selo (IS), à taxa de 1% sobre o respetivo VPT. Esta tributação em sede de IS poderá ser extinta e, em sua substituição, estes contribuintes passarão a estar sujeitos apenas às taxas progressivas do IMI dentro dos novos escalões que venham a ser definidos. O modelo de progressividade que o Governo está a estudar não é ainda conhecido em pormenor, mas aponta para uma taxa que crescerá em função do número de imóveis detidos pelo mesmo proprietário, incluindo não apenas prédios de habitação e serviços, mas também terrenos para construção e rústicos. Desta forma, as novas taxas de IMI progressivas serão tanto mais elevadas quanto mais elevado o VPT. No Programa de Estabilidade 2016-2020, enviado no início do mês de maio para Bruxelas, o Executivo expressamente afirma querer introduzir “um mecanismo de progressividade na tributação direta do património imobiliário”, tendo por referência “o património imobiliário global detido” pelo contribuinte. Vários especialistas em fiscalidade alertam para o risco de se estarem a introduzir “distorções” no que diz respeito à capacidade contributiva dos sujeitos passivos. Isto porque, mesmo tratando-se de bens de diminuto valor, o cômputo global do património pode representar um montante que determine a aplicação de uma taxa mais pesada e que se refletirá num acréscimo do IMI. Os pormenores sobre a solução técnica final a implementar não são conhecidos, sendo que, abordado sobre o tema, Fernando Rocha Andrade, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, disse apenas que “há trabalhos internos sobre o assunto”. As perspetivas apontam para que o modelo de progressividade entre em vigor com o Orçamento do Estado para 2017 e se aplique no imposto referente a esse ano e a pagar em 2018. Perigo de instabilidade fiscalNum momento em que o setor imobiliário dá sinais de recuperação, a notícia de novas alterações fiscais deixou um sentimento de insegurança entre os operadores do mercado. Atualmente, as taxas de IMI para os prédios urbanos (incluindo os terrenos para construção) variam entre 0, 3% e 0, 45%, sendo que a fixação da taxa a aplicar dentro deste intervalo é feita por cada Município. Na perspetiva do presidente da Associação Lisbonense de Proprietários, Luís Menezes Leitão, esta “é mais uma medida irresponsável e pouco pensada do governo”, que “levará seguramente ao desvio para outros produtos”. Na sua opinião, “o imobiliário é um elemento essencial da poupança dos portugueses, mas ultimamente tem vindo a ser sujeito a uma multiplicação de tributos”. O IMI progressivo “é mais uma medida altamente penalizadora para o sector”. Aliás, prossegue, “temos sido confrontados com imensos proprietários que já não conseguem pagar o IMI aos valores atuais, até porque em muitos casos os prédios foram mantidos com rendas congeladas. Muitas pessoas perderam os seus imóveis em virtude de dívidas fiscais, não tendo sido por acaso que agora o Parlamento quis limitar as execuções por essas dívidas”. Por seu turno, Paulo Silva, presidente da Associação de Empresas de Consultoria e Avaliação (ACAI) e Managing Director da Aguirre Newman, extrai duas leituras sobre a introdução da taxa progressiva de IMI: “O reforço da falta de estabilidade da política fiscal e a “caça aos ricos”, negligenciando a atratividade que Portugal tem apresentado à captação de capitais estrangeiros”. A introdução do IMI progressivo pode até provocar outras ondas de choque, alerta Hugo Santos Ferreira, secretário-geral da APPII – Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários: “A medida agora proposta afetará seguramente o mercado imobiliário, que estava a dar sinais de retoma e com isso a influenciar positivamente outros sectores da economia, com o turismo e o comércio de rua”. E acrescenta que “no orçamento do Estado para 2016 já se tinha agravado seriamente o IMI nos imóveis de comércio, indústria e serviços, sustentando-se que a habitação seria poupada, pretendendo-se agora afinal atacar também o segmento habitacional”, afirmou. Reflexos sobre investimentoOs reflexos sobre o investimento serão outra consequência desta medida, estima Menezes Leitão: “Nenhum investidor acredita num sector em que os impostos mudam todos os dias sem qualquer justificação para tal. O investimento privado no imobiliário vai ser assim posto em causa”. Na medida em que apresenta um aumento dos encargos com a propriedade, “é claramente penalizadora para os proprietários”, refere Paulo Silva. “Quanto ao afastamento de novos investidores, tudo tem a ver com uma relação custo beneficio e avaliação do impacto do custo marginal que possa acarretar a tributação, podendo conduzir a um desvio de investimento, sobretudo a médio/longo prazo, para outros veículos fiscalmente mais atrativos”. Este responsável não escamoteia “a questão ideológica que está subjacente”, mas “parece-me estarmos também na presença de um comportamento obsessivo de andar a tentar matar a galinha dos ovos de ouro”. O presidente da ALP sustenta que os privados “desviarão as suas poupanças para outros produtos onde não existe qualquer tributação do seu património. E com isso não há qualquer viabilidade económica na reabilitação urbana. Sabendo-se que só em Lisboa são precisos 8000 milhões de euros para reabilitar todos os imóveis degradados, pode-se imaginar o prejuízo que isso vai causar ao país”, conclui. Hugo Santos Ferreira vai mais longe: “Desengane-se que pense que a reabilitação urbana já é uma aposta ganha. Há que consolidar, dando estabilidade ao seu regime legal e fiscal e perspetivas de rentabilidade e de sustentabilidade aos seus projetos”. A introdução de uma taxa progressiva de IMI trará “um retrocesso considerável” à reabilitação urbana e ao mercado do arrendamento, assegura. “Não haverá nenhum investidor ou promotor imobiliário que continuará a adquirir imóveis nos centros das cidades, com vista à sua reabilitação e posterior arrendamento, dando assim vida às cidades, se for castigado. A carga fiscal no sector já é elevadíssima, aumentá-la ainda mais apenas desincentivará, primeiro, os investidores que já cá estão a adquirir mais imóveis para reabilitar e, segundo, os novos investidores que agora estavam a olhar muito atentamente para o mercado nacional”, conclui. “Mais um problema para a banca”A banca poderá ver-se a braços com um novo problema, estima Hugo Santos Ferreira. “Caso esta medida venha a ser aprovada, os bancos verão novamente as suas carteiras de imóveis aumentar de volume, em virtude de novas dações em cumprimento por não pagamento dos financiamentos deste tipo de imóveis de segunda habitação”. Isto porque, prevê, “muitos serão os portugueses que, não conseguindo mais manter as suas casas de férias, de segunda habitação, de fim-de-semana, ou até de investimento (muitos dos proprietários, neste caso, preparavam-se agora para arrancar com obras de reabilitação e de colocação destes imóveis no mercado do arrendamento), não terão outra solução se não entregá-las aos bancos”.
REFERÊNCIAS:
Tempo Maio